Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



NADIR AFONSO

Sexta-feira, 13.12.13

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.

Ah, quem sabe, quem sabe,
Se não parti outrora, antes de mim,
Dum cais; se não deixei, navio ao sol
Oblíquo da madrugada,
Uma outra espécie de porto?
Quem sabe se não deixei, antes de a hora
Do mundo exterior como eu o vejo
Raiar-se para mim,
Um grande cais cheio de pouca gente,
Duma grande cidade meio-desperta,
Duma enorme cidade comercial, crescida, apoplética,
Tanto quanto isso pode ser fora do Espaço e do Tempo?

 

Ode Marítima, Fernando Pessoa

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Albano Nascimento às 13:24


1 comentário

De Lamartine Dias a 13.12.2013 às 15:25

Excelente combinação de 2 grandes mestres representantes de 2 artes nobres. Boa forma de homenagear o nosso grande conterrâneo que nos deixou e que sempre nos há-de deliciar com as suas belas cores e grafismos.

Comentar post






comentários recentes

  • A Vertigem

    Acaba por ser incrível, testemunhar isto. As letra...

  • A Vertigem

    Letras enormes. Porque será?

  • Anónimo

    Estive lá ontem, não gostei de ter de pagar 8,00 €...

  • deep

    Lindíssima. :)

  • partebilhas

    Bela foto!

  • maria videira

    Linda a foto, fiz-lhe um PIN!

  • deep

    Bonita libelinha. Já fotografei algumas, mas não c...

  • Albano Nascimento

    "O alfaiate é parente do percevejo d'água, embora ...

  • deep

    Um lugar inspirador. :)

  • outonalidades

    Sobre a corrente esvoaçaa libelinha inconstante;Ve...